terça-feira, 22 de novembro de 2016

Ocupação da Unifesp recebe indígenas em roda de conversa sobre a política e organização do povo Guarani Mbya


*Por Leila Hatai e Héric Moura



Karai Jexaka - Liderança da Paranapuã
A atmosfera atual na UNIFESP Silva Jardim, localizada em Santos/SP é dinâmica e intensa. Desde o dia 03 de novembro os estudantes organizam a ocupação contra a PEC 55, que caso aprovada causará um verdadeiro desmonte na educação pública, saúde e previdência.

Foi nesse contexto de mobilização, agitação e resistência, que os ocupantes, professores e simpatizantes do movimento receberam representantes e lideranças da aldeia Paranapuã (São Vicente/SP), para conhecer e conversar sobre a política e organização do povo Guarani Mbya. Um encontro riquíssimo, com muita troca de experiencia, trazendo muitos aprendizados para os integrantes da ocupação que puderam ter contato com este povo que luta por seus direitos há mais de 500 anos.

O encontro faz parte do Curso de Extensão: Conhecendo a Cultura Guarani, organizado por indígenas da aldeia Paranapuã e estudantes que atuam com a prática da Educação Popular. Devido a ocupação a atividade se tornou uma aula pública.

Na atividade foram debatidos temas como educação, saúde, gestão territorial, manejo dos recursos naturais e autonomia das organizações da aldeia, que possuem organização independente e ao mesmo tempo possuem conexões e contatos com outras aldeias, pois é necessário que as aldeias se fortaleçam e resistam juntas.

O curso tem como objetivo possibilitar a troca de experiências entre indígenas e Juruá (não indígenas) valorizando os saberes que não são produzidos exclusivamente dentro do mundo acadêmico, abordando a cultura indígena Guarani numa perspectiva dos Direitos Humanos, dando voz aos protagonistas, problematizando de forma crítica e reflexiva as questões enfrentadas por esta população, no território da Baixada Santista.


Respeitar, compartilhar e valorizar os saberes indígenas torna-se cada vez mais fundamental. Temos muito a aprender com estes povos que possuem uma cultura maravilhosa e grande experiência em lutar e resistir contra a exploração e opressão.

Em tempos de ataques cada vez mais intensos aos nossos direitos mais básicos, como a saúde e educação, além do sistemático desrespeito aos Direitos Humanos que se manifesta no extermínio das populações pobres, negras e periféricas, a importância do saber e história de resistência dos povos indígenas é de fundamental importância para fortalecermos a nossa luta.

"Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes."
Paulo Freire


* Leila Hatai é integrante do Programa de extensão em Educação Popular, é apoiadora da causa indígena, ambiental e estudante de Ciências do Mar na UNIFESP Santos.

* Héric Moura é militante do movimento estudantil, ambiental, apoiador da causa indígena e estudante de Ciências do Mar na UNIFESP Santos.