sábado, 24 de dezembro de 2016

Os prédios tortos de Santos

Em destaque o edifício "Excelsior", onde funciona um dos bares mais conhecidos de Santos: o bar do "Torto"

Uma história marcada pela especulação imobiliária

Nesta época do ano, se intensifica o fluxo de turistas para Santos e Baixada Santista como um todo. Muitas pessoas vem em busca de lazer e descanso, lotando as praias e cidades da região, em Santos muitas atrações entretêm turistas e moradores, mas para aqueles que observam a orla com mais atenção se destacam os prédios tortos.

Prédios que foram construídos, sobretudo entre as décadas 1950 e 1960 passaram “entortar” na orla da cidade já nos anos de 1970. O motivo do afundamento destes prédios, é consequência de construções feitas com fundações rasas, em muitos casos de apenas 10 metros, em áreas de manguezais, terreno argiloso, onde as partes mais sólidas se encontram somente a mais de 50 metros de profundidade

Este problema afeta mais de 90 prédios na orla santista, mais concentrados entre os canais 3 e 6, sendo que 65 estão fora do padrão ABNT, apresentando inclinações desde 0,5 m a 1,8 metro. Segundo dados da prefeitura, atualmente os “tortos” concentram mais de 2.700 apartamentos, onde moram aproximadamente 17.000 pessoas, quase 3% da população de Santos, dados da prefeitura, também indicam que alguns edifícios, que foram erguidos na década de 1990, já possuem mais de 1 metro inclinação.

Prédios tortos se destacam na orla
O que a primeira vista se apresenta com uma versão brasileira de “Torre de Pisa”,com um olhar mais cuidadoso, se revela como uma história onde a pressão por lucros e a mercantilização extrema da cidade, tem marcado esta cidade há muitos anos.


Com a consolidação de Santos como cidade turística e de veraneio no incio da década de 1950, uma intensa especulação imobiliária tomou a cidade, e levou a construção de obras apressadas, que buscavam reduzir custos de qualquer forma e que negligenciaram estudos técnicos sobre o solo santista.

Santos ainda é refém da especulação imobiliária, impulsionada no último ciclo pelo pré-sal. Os problemas dos prédios tortos persistem, as soluções de técnicas para nivelar os edifícios são extremamente caras e foram realizadas até o momento em pouquíssimas construções, apesar de laudos atestarem que no momento não há riscos de algum prédio cair o problema ainda segue sem solução e se aprofundando.

Os moradores foram obrigados a conviver com a situação, tendo grande prejuízo em sua qualidade de vida. Não podemos ignorar que se trata de um problema social, uma situação preocupante que demanda atuação do poder público, pois trata-se da segurança e da vida.


As cidades devem se libertar da ditadura da especulação imobiliária geradora de muitos problemas e que segue criando absurdos em diversas localidades por todo o Brasil. As cidades precisam ser repensadas como um direito e não como espaço de geração de lucros a qualquer preço.