terça-feira, 17 de outubro de 2017

Governo Alckmin quer fechar escolas em Santos - Estudantes organizam manifestação



Uma manifestação contra o fechamento de escolas em Santos acontecerá em Santos na frente da escola Cleóbulo Amazonas Duarte na manhã esta quarta-feira (18) as 12:00. O protesto terá apoio dos estudantes da escola, Centro Acadêmico Nautilus e estudantes do coletivo Enfrente! Juventude em movimento.

Recentemente o governo do estado de São Paulo anunciou o fechamento de diversas escolas, quatro destas são da Baixada Santista. Uma das escolas das marcadas para ser fechada em Santos, a E.E. Brás Cubas que é a única da cidade que possui adaptações e acessibilidade para estudantes deficientes.

Em 2015, estudantes secundaristas da E.E. Cleóbulo Amazonas Duarte, que também prevista para ser fechada em 2018, participaram do movimento das ocupações e, através de uma mobilização vitoriosa, conseguiram barrar a Reorganização de Alckmin, que determinava o fechamento de escolas no ano letivo seguinte.
Os estudantes criaram um evento no Facebook com nome de Não Fechem Minha Escola! Ato contra o fechamento do CAD, e se organizou pela rede social convocando a sociedade para o ato.

Link para o evento da manifestação:
https://www.facebook.com/events/182522845654314

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Plínio de Arruda Sampaio Jr, economista, lança livro e realiza palestra em Santos, sobre a crise brasileira, nesta quarta, 04/10



Nesta quarta-feira, 04/10, ocorrerá em Santos, a palestra do professor Plínio de Arruda Sampaio Júnior, do Instituto de Economia da Unicamp, ele estará na Unifesp, lançando seu mais recente livro: Crônica de uma Crise Anunciada, onde analisa os caminhos que nos trouxeram à profunda crise que vivemos e que afeta todos os níveis da sociedade brasileira.

O evento é aberto ao público e terá início às 19 horas, no Saguão principal da Unifesp-Silva Jardim.

Plínio, tem viajado ao longo de todo o país realizando palestras e debates para o lançamento da obra, em eventos que tem atraído um grande público, na busca de entender o que realmente se passa na sociedade brasileira e quais os meios de superar a atual crise: política, econômica e social que vivemos.

O livro “Crônica de uma crise anunciada - Crítica à economia política de Lula e Dilma”, publicado pela SG-Amarante Editorial, foi escrito nos momentos de gestação e aprofundamento da crise política e procura responder os motivos que levaram à escolha de um modelo político e econômico que leva à submissão e a um processo econômico que condena o país ao que Plínio chama de "reversão neocolonial".

O Jornal Santista fará transmissão vivo da palestra no Facebook: Jornal Santista 

A atividade é aberta e gratuita. Basta comparecer na Unifesp- Campus Rua Silva Jardim, n 136, na Vila Mathias, instantes antes das 19 horas.

Estão na organização do evento: Coletivo Feminista Rosa Lilás - Baixada Santista EnFrente - Baixada Santista e Quinze de Outubro- Baixada Santista


Saiba mais sobre o autor:

Plínio de Arruda Sampaio Jr. é professor livre-docente do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IE/Unicamp). Com pesquisas na área de história econômica do Brasil e teoria do desenvolvimento, dedica-se ao estudo do impacto da globalização capitalista sobre a economia brasileira. Membro do conselho editorial de diversas revistas acadêmicas, entre as quais, Novos Temas e Marxismo XXI, possui dezenas de artigos, publicados no Brasil e no exterior. É autor de Entre a nação e a barbárie: os dilemas do capitalismo dependente (Vozes, 1999); e organizador dos livros Capitalismo em crise: a natureza e dinâmica da crise econômica mundial (Sunderman, 2009); e Jornadas de Junho: a revolta popular em debate (ICP, 2014)

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Debate e lançamento de livro sobre a crise brasileira ocorrerá em Santos na próxima semana (04/10)



A próxima quarta feira, 04/10, será marcada por um evento de grande importância na cidade de Santos, com a palestra do professor Plínio de Arruda Sampaio Júnior, do Instituto de Economia da Unicamp, ele estará na Unifesp, lançando seu mais recente livro: Crônica de uma Crise Anunciada. O evento é aberto ao público e terá início às 19 horas, no Saguão principal da Unifesp-Silva Jardim.

Plínio, tem viajado ao longo de todo o país realizado palestras e debates para o lançamento da obra, em eventos que tem atraído um grande público na busca de entender o que realmente se passa na sociedade brasileira e quais os meios de superar a atual crise: política, econômica e social que vivemos.

O livro “Crônica de uma crise anunciada - Crítica à economia política de Lula e Dilma”, publicado pela SG-Amarante Editorial, foi escrito nos momentos de gestação e aprofundamento da crise política e procura responder os motivos que levaram à escolha de um modelo político e econômico que leva à submissão e a um processo econômico que condena o país ao que Plínio chama de "reversão neocolonial".

Plínio de Arruda Sampaio Júnior também faz uma análise sobre a atual conjuntura e o que mudou ou não na política econômica dos últimos governos, e qual a relação entre a crise que paralisa o Brasil e as contradições do ciclo de crescimento que impulsionou o chamado neodesenvolvimentismo.

A atividade é aberta e gratuita. Basta comparecer na Unifesp- Campus Rua Silva Jardim, n 136, na Vila Mathias, instantes antes das 19 horas.

O evento está sendo organizado por: Coletivo Feminista Rosa Lilás - Baixada Santista EnFrente - Baixada Santista e Quinze de Outubro- Baixada Santista

abaixo segue o link do evento no Facebook:


Plínio de Arruda Sampaio Jr. é professor livre-docente do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IE/Unicamp). Com pesquisas na área de história econômica do Brasil e teoria do desenvolvimento, dedica-se ao estudo do impacto da globalização capitalista sobre a economia brasileira. Membro do conselho editorial de diversas revistas acadêmicas, entre as quais, Novos Temas e Marxismo XXI, possui dezenas de artigos, publicados no Brasil e no exterior. É autor de Entre a nação e a barbárie: os dilemas do capitalismo dependente (Vozes, 1999); e organizador dos livros Capitalismo em crise: a natureza e dinâmica da crise econômica mundial (Sunderman, 2009); e Jornadas de Junho: a revolta popular em debate (ICP, 2014)

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Geddel é Temer e muito mais do que isso


por Gilson Amaro*

Geddel Vieira Lima (PMDB), braço-direito de Michel Temer, foi preso novamente na manhã desta sexta-feira 08/09, após 51 milhões de reais, em espécie, terem sido encontrados em apartamento com suas digitais. Ele estava em "prisão domiciliar".

Geddel mais que braço direito de Temer, é um tipo muito comum no "partido da ordem", prestando serviços para a manutenção do status quo, desde tempos que precedem a nova república. Também foi ministro da Integração Nacional de Lula, entre 2007 e 2010, baluarte da transposição do Rio São Francisco.

Após trabalhos prestados no governo Lula, ele foi vice-presidente de Pessoa Jurídica na Caixa entre 2011 e 2013, sim, no governo Dilma e em 2017, Geddel passou a integrar oficialmente o governo Temer como ministro da Secretaria do Governo.

Esta é a história recente, mas tem muita coisa passada, “anões” do orçamento, caso do Iphan, e muitos outros escândalos no currículo deste doutor em fisiologia e clientelismo.
Não podemos ter ilusões com o poder judiciário ou com as facções do partido da ordem -hoje em luta pelos postos de comando na gerência do sistema. A grande questão não é o que Geddel sabe, e sim, ele conhece muito sobre FHC, Lula, Dilma e Temer, mas o que realmente importa é que Geddel expressa a falência e a necessidade de superação da nova república.

Se mudança não for na essência da prática e programa político, novos Geddels surgirão, do mesmo modo que novas facções do "partido da ordem"( sejam da ex-querda ou da velha nova direita) irão prosperar.
Para nós a tarefa é mudar de fato, romper com tudo isso e muito mais.

*Gilson Amaro é colaborador do JS

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Admirável mundo novo animal


Em outubro de 2013, um grupo de ativistas entrou e resgatou cães de dentro do Instituto Royal, um local onde eram eram realizados vários tipos de testes em animais, principalmente em cães da raça Beagle. O caso foi repercutido nacionalmente e motivou debates na mídia, em grupos de defesa animal e também nas universidades.

Confira essa reflexão fundamental do professor a antropólogo Renzo Taddei sobre práticas experimentais em animais na ciência contemporânea diante de novas descobertas da neurociência.  O texto foi publicado originalmente no Canal Ibase.

Renzo Taddei



Se avaliada pela repercussão que obteve na imprensa, a libertação dos 178 beagles do Instituto Royal foi um marco histórico. Nem na época do debate sobre a regulamentação do uso de células-tronco tanta gente graduada veio a público defender suas práticas profissionais. O tema está na capa das principais revistas semanais do país. A análise dos argumentos apresentados na defesa do uso de animais como cobaias de laboratório é, no entanto, desanimadora. E o é porque expõe o quanto nossos cientistas estão despreparados para avaliar, de forma ampla, as implicações éticas e morais do que fazem.

Instituto Royal em 2013, onde 178 cães foram resgatados
Vejamos: no debate aprendemos que há pesquisas para as quais as alternativas ao uso de animais não são adequadas. Aprendemos que muitas das doenças que são hoje de fácil tratamento não o seriam sem os testes feitos em animais; desta forma, muitas vidas humanas foram salvas. (Exemplificando como a razão pode sucumbir à emoção – até mesmo entre os mais aguerridos racionalistas -, um pesquisador da Fiocruz chegou ao desatino de afirmar que os “animais experimentais são grandes responsáveis pela sobrevivência da raça humana no planeta”). Adicionalmente, o fato de cientistas importantes do passado, como Albert Sabin, Carlos Chagas ou Louis Pasteur, terem usado animais como cobaias de laboratório em suas pesquisas mostra que os cientistas, por sua contribuição à humanidade, não podem ser tratados como criminosos. Ainda pior que isso tudo, se o Brasil proibir testes com animais, a ciência brasileira perderá autonomia e competitividade, porque dependerá de resultados de pesquisas feitas em outros países para o seu avanço.

Além do mais, há que se levar o animal em consideração: é consenso entre cientistas de que os animais de laboratório não devem sofrer. Providências foram tomadas nesse sentido, como a criação do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal, e da obrigatoriedade das instituições terem cada uma sua Comissão de Ética no Uso de Animais, com assento para representante de sociedades protetoras de animais legalmente constituídas. E, finalmente, os “próprios animais” são beneficiados, em razão de como as experiências de laboratório supostamente contribuem com o desenvolvimento da ciência veterinária.

De forma geral, o que temos aí resumido é o seguinte: os animais são coisas, e devem ser usados como tais; ou os animais não são coisas, mas infelizmente devem ser usados como tais. Há algo maior que se impõe (e sobre a qual falarei mais adiante), de forma determinante, de modo que se os animais são ou não são coisas, isso é um detalhe menor, que os cientistas logo aprendem a desprezar em seu treinamento profissional.

A ideia de que os animais são coisas é antiga: Aristóteles, em seu livro Política, escrito há dois mil e trezentos anos, afirmou que os animais não são capazes de uso da linguagem e, por essa razão, não são capazes de uma existência ética. Sendo assim, conclui o filósofo, os animais foram criados para servir os humanos. Ideia semelhante está no Gênesis bíblico: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra” (Gênesis 1:26). Santo Agostinho e São Tomás de Aquino reafirmam a desconexão entre os animais e Deus. (São Francisco é, na história cristã, claramente um ponto fora da curva). A ideia chegou aos nossos dias praticamente intacta. O Catecismo Católico afirma, em seu parágrafo 2415, que “Os animais, tal como as plantas e os seres inanimados, são naturalmente destinados ao bem comum da humanidade, passada, presente e futura”. A ciência renascentista, através de Descartes e outros autores, fundou o humanismo que a caracteriza sobre essa distinção entre humanos e animais, exacerbando-a: o animal (supostamente) irracional passa a ser entendido como a antítese do humano (supostamente) racional. O tratamento de animais como coisas pela ciência contemporânea tem, desta forma, raízes históricas antigas.

Ocorre, no entanto, que essa ideia se contrapõe à existência cotidiana da maioria da humanidade, em todas as épocas. Em sociedades e culturas não-ocidentais, é comum que se atribua alguma forma de consciência e personalidade “humana” aos animais. Nas sociedades ocidentais, quem tem animal de estimação sabe que estes têm muito mais do que a simples capacidade de sentir dor: são capazes de fazer planos; de interagir entre si e com humanos em tarefas complexas, tomando decisões autônomas; integram-se na ecologia emocional das famílias humanas de forma significativa, construindo maneiras inteligentes de comunicar suas emoções. (Isso sem mencionar como animais humanizados são onipresentes em nosso imaginário cultural, dos desenhos animados infantis aos símbolos de times de futebol, de personagens do folclore popular a blockbusters hollywoodianos). De fato, o contraste entre essa percepção cotidiana e o que sugerem os pensamentos teológico e teórico mencionados acima faz parecer que há racionalização em excesso em tais argumentos. E onde há racionalização demais, ao invés de uma descrição do mundo, o mais provável é que haja uma tentativa de controle da realidade. Ou seja, trata-se mais de um discurso político, que tenta estabilizar relações desiguais de poder, do que qualquer outra coisa (nada de novo, aqui, para as ciências sociais ou para a filosofia da ciência).

É da própria atividade científica, no entanto, que vêm as evidências mais contundentes de que os animais são muito mais do que seres sencientes. No dia 7 de julho de 2012, um grupo de neurocientistas, neurofarmacologistas, neurofisiologistas, neuroanatomistas e cientistas da neurocomputação, reunidos na Universidade de Cambridge, produziu o documento intitulado Manifesto de Cambridge sobre a Consciência, onde se afirma o seguinte: “a ausência de neocortex não parece impedir um organismo de experimentar estados afetivos. Evidências convergentes indicam que animais não-humanos têm os substratos neuroanatômicos, neuroquímicos e neurofisiológicos necessários para a geração de estados conscientes, aliados à capacidade de exibir comportamento intencional. Consequentemente, as evidências indicam que os humanos não são únicos em possuir substratos neurológicos que geram consciência. Animais não-humanos, incluindo todos os mamíferos e aves, e muitas outras criaturas, como os polvos, também possuem tais substratos neurológicos” (tradução livre). O manifesto foi assinado em jantar que contou com a presença de Stephen Hawking. Phillip Low, um dos neurocientistas que redigiu o manifesto, disse em entrevista à revista Veja (edição 2278, 18 jul. 2012): “É uma verdade inconveniente: sempre foi fácil afirmar que animais não têm consciência. Agora, temos um grupo de neurocientistas respeitados que estudam o fenômeno da consciência, o comportamento dos animais, a rede neural, a anatomia e a genética do cérebro. Não é mais possível dizer que não sabíamos”.

Chimpanzé alimenta um filhote de tigre dourado - Rungroj Yongrit
Outro grupo de pesquisas com resultados problemáticos para a manutenção de mamíferos em laboratórios vem das ciências que estudam a vida social dos animais, em seus ambientes selvagens. Animais são seres sociais; alguns, como os estudos em primatologia nos mostram, têm sua vida social pautada por dinâmicas políticas complexas, onde os indivíduos não apenas entendem suas relações de parentesco de forma sofisticada, mas também ocupam postos específicos em hierarquias sociais que podem ter quatro níveis de diferenciação. Estudos da Universidade de Princeton com babuínos mostraram que fêmeas são capazes de induzir uma ruptura política no bando, o que resulta na formação de um novo grupo social. Há muitos outros animais que vivem em sociedades hierárquicas complexas, como os elefantes, por exemplo. Cães, gatos, coelhos e ratos são também, naturalmente, animais sociais, ainda que a complexidade de seus grupos não seja equiparável ao que se vê entre babuínos e elefantes.

Além disso tudo, está amplamente documentado que muitos primatas são capazes de inventar soluções tecnológicas para seus problemas cotidianos – criando ferramentas para quebrar cascas de sementes, por exemplo – e de transmitir o que foi inventado aos demais membros dos grupos; inclusive aos filhotes. Tecnicamente, isso significa que possuem cultura, isto é, vida simbólica. As baleias mudam o “estilo” de seu canto de um ano para o outro, sem que isso tenha causas estritamente biológicas. Segundo o filósofo e músico Bernd M. Scherer, não há como explicar a razão pela qual o canto de um pássaro seja estruturado pela repetição de uma sequência de sons de 1 ou 2 segundos, enquanto outros pássaros cantam em sequências muito mais longas, usando apenas as ideias de marcação de território e atração de fêmeas. Scherer, através de suas pesquisas (que incluem a interação musical, em estilo jazzístico, com pássaros e baleias), está convencido de que há uma dimensão estética presente no canto dos pássaros. Ele afirma, também, que grande parte dos pássaros precisa aprender a cantar, e não nasce com o canto completamente pré-definido geneticamente.

Não há razão para pensar que isso tudo não se aplique também às vacas, porcos e galinhas. Annie Potts, da Universidade de Canterbury, descreve no livro Animals and Society, de Margo DeMello (2012), sua observação da amizade de duas galinhas, Buffy e Mecki, no santuário de galinhas mantido pela pesquisadora. Em determinado momento, Buffy adoeceu, e sua saúde deteriorou-se a ponto de ela não poder mais sair de debaixo de um arbusto. Sua amiga Mecki manteve-se sentada ao seu lado, a despeito de toda a atividade das demais galinhas do santuário, bicando-a suavemente ao redor da face e em suas costas, enquanto emitia sons suaves. Quando Buffy finalmente morreu, Mecki retirou-se para dentro do galinheiro, e por determinado período recusou-se a comer e a acompanhar as outras galinhas em suas atividades. As galinhas são susceptíveis ao luto, conclui Potts.

Quanto mais se pesquisa a existência dos animais – especialmente aves e mamíferos -, mais se conclui que entre eles e nós há apenas diferenças de grau, e não de qualidade. Ambos temos consciência, inteligência, intencionalidade, inventividade, capacidade de improvisação e habilidade no uso de símbolos para a comunicação; ao que parece, os animais não-humanos fazem uso de tais capacidades de forma menos complexa que os humanos, e essa é toda a diferença. Vivemos o momento da descoberta de um admirável mundo novo animal. Nosso mundo tem muito mais subjetividades do que imaginávamos; talvez devêssemos parar de procurar inteligência em outros planetas e começar a olhar mais cuidadosamente ao nosso redor. O problema é que, quando o fazemos, o que vemos não é agradável. Se os animais têm a capacidade de serem sujeitos de suas próprias vidas, como apontam as evidências, ao impedir que o façam os humanos incorrem em ações, no mínimo, eticamente condenáveis.

Voltemos aos argumentos de defesa do uso de animais em laboratórios, citados no início desse texto. A maior parte das razões listadas se funda em razões utilitárias: “assim é mais eficaz; se fizermos de outra forma, perderemos eficiência”. Não se pode fundamentar uma discussão ética sobre pressupostos utilitaristas. Se assim não o fosse, seria aceitável matar um indivíduo saudável para salvar (através da doação de seus órgãos, por exemplo) outros cinco indivíduos doentes. O que boa parte dos cientistas não consegue enxergar é que se trata de um problema que não se resume à dimensão da técnica; trata-se de uma questão política (no sentido filosófico do termo, ou seja, que diz respeito ao problema existencial de seres vivos que coexistem em conflito de interesses).

Mas há outro elemento a pautar, silenciosamente, a lógica da produção científica: a competitividade mercadológica. Na academia, isso se manifesta através do produtivismo exacerbado, onde qualquer alteração metodológica que implique em redução de eficiência no ritmo de pesquisas e publicações encontra resistência. Em laboratórios privados, além da pressa imposta pela concorrência, há a pressão pela redução dos custos de pesquisa. É preciso avançar, a todo custo. Essa percepção do ritmo das coisas parece “natural”, mas não o é: os argumentos falam da colocação em risco das pesquisas que levarão à cura da AIDS ou da criação da vacina para a dengue, como se essas coisas já pré-existissem em algum lugar, e o seu tempo de “descoberta” fosse definido. Isso é uma ficção: não apenas científica, mas também política. As coisas não pré-existem, e o ritmo das coisas não tem nada de “natural”. O tempo é parte da política: é a sociedade quem deve escolher em qual ritmo deve seguir, e é absolutamente legítimo reduzir o ritmo dos avanços técnico-científicos, se as implicações morais para tais avanços forem inaceitáveis.

De todos os cientistas que se pronunciaram nos últimos dias, foi Sidarta Ribeiro, no Estadão do último domingo, o único que colocou, abertamente, o problema de os animais não serem coisas. Mas, para desânimo do leitor, e decepção dos que o admiram, como eu, suas conclusões caíram na vala comum do simplismo burocrático: o problema se resolveu com a criação do aparato burocrático de regulamentação do uso de animais, já mencionado anteriormente, no início desse texto. Ora, se os animais são seres dotados de intencionalidade, inteligência e afeto, e se a plenitude da sua existência depende de vida social complexa, a simples manutenção do seu organismo vivo e (supostamente) sem dor é suficiente para fazer com que eles “não sofram”? Sidarta coloca, de forma acertada, que é preciso atentar para o fato de que coisas muito piores ocorrem na indústria da carne, e também em muitas áreas da existência humana. Mas erra ao criar a impressão de que uma coisa existe em contraposição à outra (algo como “lutem pela humanização dos humanos desumanizados e deixem a ciência em paz”). Todas elas são parte do mesmo problema: a negação do direito a ser sujeito da própria vida. Uma atitude ética coerente implica a não diferenciação de espécie, considerando todos aqueles que efetivamente podem ser sujeitos da própria vida. O resto é escravidão, de animais humanos e não humanos.

Os protocolos de ética em pesquisa com sujeitos humanos foram desenvolvidos após a constatação dos horrores da experimentação médica nazista em judeus. Parece-me inevitável que, em algumas décadas, venhamos a pensar na experimentação com sujeitos-animais em laboratórios com o mesmo sentimento de indignação e horror.

Renzo Taddei é doutor em antropologia pela Universidade de Columbia. É professor da Universidade Federal de São Paulo.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Roda de conversa sobre a situação das mulheres negras no Brasil e o feminismo negro


Dia 24 de julho, segunda-feira, o Coletivo Feminista Rosa Lilás - Baixada Santista realizará uma roda de conversa sobre a situação das mulheres negras no Brasil e o feminismo negro.
O evento será na sede do Conselho Regional de Psicologia em Santos e é aberta ao público em geral.
A atividade ocorre na véspera do Dia Internacional da Mulher Negra Latina e Caribenha, sendo portanto, fundamental esta discussão sobre a situação das mulheres negras no Brasil e demais países marcados pela escravidão e colonialismo.
Data 24/07
Horário 18:30h
Endereço: Rua Cesário Bastos, 26, Vila Belmiro, Santos/SP

terça-feira, 18 de julho de 2017

Feministas denunciam machismo em vídeo da prefeitura de Santos


A denúncia foi realizada nas redes sociais. E o que mais chama atenção, é que o vídeo machista é justamente de uma campanha: “Violência Contra a Mulher é Crime”. 

Leia a publicação do Coletivo Feminista Rosa Lilás, realizada em página no Facebook:

 A "campanha" de combate à violência contra a mulher promovida pela prefeitura de Santos, é um exemplo de machismo. Durante todo o vídeo, somente homens falam e as mulheres aparecem como figurantes, como “objetos a serem tutelados”.

Devendo conscientizar a população sobre a alarmante situação que nós mulheres brasileiras nos encontramos, sobrevivendo em um país com altíssimos índices de violência, o vídeo vai no sentido contrário, excluindo o nosso direito de fala e expressão, reforçando ainda mais o machismo.

No Brasil, a cada 11 minutos uma de nós é estuprada e a cada duas horas uma é assassinada, estamos submetidas a uma imensa desigualdade salarial, exploração doméstica, triplas jornadas de trabalho entre tantas outras condições de desigualdade e violência.

O vídeo da prefeitura de Santos é uma expressão do machismo do poder público municipal, composto majoritariamente por homens. Retirar o direito de fala da mulher, reforça o padrão da desigualdade de gênero, vemos aqui a fala e o poder se reafirmarem como exclusivos dos homens, como se a mulher dependesse da tutela masculina.

Uma absurda visão de que a mulher só esta segura na presença de um homem, e de que necessita deste para sua defesa, passando a ideia de que os assuntos somente são levados a sério se dito por homens.

Uma campanha de violência contra a mulher pressupõe, evidentemente, ser protagonizada por nós mulheres, que sofremos a violência.

Acesse o link para conhecer a página do coletivo nas redes sociais e abaixo segue o vídeo denunciado:










Não é difícil de entender


por *Gilson Amaro

Questões complexas podem ser explicadas de forma simples, não que assim se possa passar o entendimento nos detalhes da questão, mas pode passar a compreensão do seu sentido geral e significado amplo.

O curioso é que muitas vezes coisas simples são as mais difíceis de explicar ou de se fazer entender, e quando isso ocorre estamos diante de um grande problema. Sobre diversos elementos da atual conjuntura política brasileira isto se comprova, pois a perspectiva histórica, parece ter sido colocada fora da jogada, não de forma impensada, claro, o que turva a compreensão do presente.

Por exemplo um grande alarde marca a condenação de Lula, mas não marca o fato de Rafael Braga estar preso por portar pinho sol em 2013 durante manifestações, não há também mesmo alarde, para o fato de nossas prisões serem presídios políticos em sentido amplo, para pobres negros e periféricos. Assim há uma inversão, como se um dos homens mais poderosos do Brasil, que viaja em avião de megaempresário da educação para prestar depoimento, fosse a síntese da seletividade penal brasileira. Tem algo muito errado neste entendimento.

Setores do ativismo social, seja em camadas jovens ou em setores de outras gerações, incorporam muitas vezes de forma acrítica, estas determinações politicas, formuladas pela executiva nacional do PT e disseminada em blogs, sites e demais meios de comunicação e movimentos que estes dirigem e influenciam.

A mesmo tempo, não se vê por parte do lulopetismo a mesma reação no tocante destruição dos direitos trabalhistas, corte de gastos em áreas sociais etc. A oposição do petismo (leia-se sempre- Pc do b também) aos ataques é meramente instrumental, pragmática, não passam de shows pirotécnicos das burocracias sindicais e parlamentares no Congresso Nacional destes agrupamentos políticos, que são apenas a outra face da mesma moeda dos grupos que compõe a sustentação do governo Temer, maioria que já foi a sustentação dos governos Lula e Dilma.

Para aprofundarmos um entendimento sobre isso, vamos a um dado simples. PT e Lula não são vítimas da atual conjuntura política, mas sim grandes responsáveis por ela. Outro dado simples, de igual modo Lula, PT e seus aliados e integrantes ( Pc do B, CUT, UJS etc...) não são a solução para a crise que vivemos e sim parte dela. Para entender basta voltar ao primeiro dado deste parágrafo.

Estes argumentos são de uma simplicidade de saltar aos olhos. Mas para alguns setores, são refutados, como se fossem absurdos, isto também é fácil de entender (volte ao primeiro item do parágrafo anterior). O PMDB foi histórico aliado do petismo, que passou mais de 13 anos defendendo um suposto “realismo politico”, estabelecendo que o limite da esquerda brasileira seria os marcos da governabilidade, sem rupturas, sem enfrentamentos, uma esquerda responsável e bem comportada, que mudará o Brasil em alianças com estas forças que hoje estão ao lado de Temer, sim o Temer que era vice da Dilma e o PMDB que era a tropa de choque dos petistas no poder.

Quando nos tentam convencer que o grande problema do Brasil, é o fato de um possível candidato, ex presidente, de um partido que sempre governou com os que estão governando hoje, atacando os setores populares, se tornar inelegível em 2018 é hora de voltar ao parágrafo anterior, pois não podemos cair nesta falácia. 

*Gilson Amaro é colaborador do Jornal Santista

domingo, 21 de maio de 2017

Policia reprime a Marcha da Maconha de Santos


Neste domingo mesmo debaixo de chuva um grande grupo de ativistas, militantes foram as ruas de Santos para protestar contra a criminalização da maconha no Brasil.O protesto partiu às 16:20h da tarde deste domingo (21) rumo ao quebra mar. Os ativistas da marcha defendem que a descriminalização terminará com a guerra ao combate às drogas.

Quando o grupo chegou na altura do canal 2 várias viaturas da Policia Militar chegaram e os policiais agiram com truculência contra os manifestantes, chegando até a prender por alguns momentos um advogado que tentava interceder em nome da marcha. No momento em que os policiais agiram parte dos manifestantes correu assustada. Mas logo a marcha se reorganizou e continuou até o quebra-mar.


quinta-feira, 18 de maio de 2017

Ato “Fora Temer” e todos os corruptos, ocorrerá hoje em Santos

ATO FORA TEMER EM SANTOS
Cartaz do ato divulgado nas redes sociais



A exemplo do acontecerá em diversas capitais e cidades em todo o Brasil, Santos terá hoje um ato #FORATEMER, que esta programado para começar as 18:30 na praça da Independência no Gonzaga. 

O ato, que já conta com grande adesão, esta sendo convocado nas redes sociais pelo coletivo Enfrente de Movimento Estudantil, além de diversas outras organizações de juventude.

segue abaixo link do evento no facebook:

terça-feira, 16 de maio de 2017

Não confunda modernidade com retrocesso


por Gilson Amaro*

O discurso privatista e pela retirada de direitos é sempre formulado e propagado a partir do "andar de cima" e se dissemina aqui, no "andar de baixo. Assim faz as pessoas que serão vitimas deste desmonte, reproduzirem o discurso.

Os defensores da reforma contam um história fantasiosa, dizendo propiciará um ambiente no qual empresários e empregados, terão liberdade para negociar o contrato de trabalho, sem a intervenção do Estado malvado, sendo felizes para sempre. E tudo em benefício do desenvolvimento do país. Discurso que não podia ser mais mentiroso, pasmem, é isso que chamam, descaradamente de modernização.

No mundo real, caso a reforma seja aprovada e o "negociado" prevaleça sobre o legislado, as empresas simplesmente vão dizer: Ou é isso, ou vai todo mundo ser demitido, pois tem muita gente querendo emprego! Alguém em sã consciência, acha que existe possibilidade de negociação neste tipo relação? Claro que não.

Nós trabalhadores não temos, na verdade, condições iguais de "negociação" pois é uma relação entre desiguais, patrões e empregados, por isso é que temos que construir organizações coletivas e sindicatos (os sérios e de luta, não os pelegos que vivem apenas de imposto sindical).

A reforma vai beneficiar exclusivamente o "andar de cima", o grande empresariado, aqueles que vivem de isenções fiscais, onerando os cofres públicos, nos assediando moralmente e pagando baixos salários. Esta conversa de que todos ganham é papo furado.

Dizer que a CLT precisa se "modernizar" é mascarar o retrocesso civilizatório que querem impor no país. Querem criar um regime de subemprego e superexploração, com jornada intermitente, 12 horas de trabalho diário, férias parceladas, pausa de 30 minutos. O que isso tem a ver com modernidade?

Precisamos sim de reformas que fortaleçam nossos direitos. Os direitos trabalhistas são as proteções contra o abuso do poder econômico. Mas, o que eles atualmente chamam de reforma é um retrocesso, um desmonte, pois querem tirar as poucas proteções legais que existem para nos proteger contra os abusos e imposições. Se eles vencerem imaginem o resultados...

* Gilson Amaro é colaborador do Jornal Santista

sábado, 13 de maio de 2017

Não confunda luta contra a "reforma" trabalhista com defesa do imposto sindical



por Gilson Amaro

Confundir pra dominar é uma técnica, assim o governo Temer lançou, dentre muitas cortinas de fumaça, a do imposto sindical, para confundir a opinião pública sobre a luta contra a destruição da CLT e retirada de direitos trabalhistas, como se este movimento fosse em defesa do dito imposto. Chegou ao absurdo de dizer que a greve geral tinha este motivo.

Todas entidades sindicais devem ser mantidas unicamente com a contribuição voluntária dos trabalhadores, ocorre que diversas organizações pelegas ( vocês conhecem bem os nomes destes grupos), vivem exclusivamente deste imposto​. O imposto permite a existência de direções sindicais inimigas dos trabalhadores e a manutenção sindicatos não reconhecidos por suas bases, que não as representa de fato. O imposto é um dos elementos da crise do sindicalismo no Brasil.

Ele foi criado em 1939 e teve o objetivo de atrelar as entidades sindicais ao Estado. Entidades independentes e combativas rechaçam o Imposto Sindical e quando a cobrança ocorre, devolvem os valores aos sindicalizados, pois por princípio defendem autonomia e independência em relação ao Estado, bom exemplo desta prática é o Sintrajud.


Portanto não confunda as coisas. Lutar em defesa dos direitos trabalhistas, não significa, e em hipótese alguma, pode significar, defender o imposto sindical.


Gilson Amaro é colabrador do Jornal Santista

quinta-feira, 11 de maio de 2017

A persistência das falsas alternativas


por Gilson Amaro e Valério Paiva*

Já afirmou um grande pensador que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes, ao que outro ainda maior completou: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa. Ao observar os descaminhos da política nacional e a ilusão realimentada com o lulismo, podemos atestar a validade desta máxima.

Lula navega em uma farsa turbulenta, com tudo para se tornar uma tragédia para os que a comprarem. Montada para usar a impopularidade do governo ilegítimo de Michel Temer do PMDB, e agora o combate a Lava Jato, recolocando justamente quem fortaleceu as oligarquias regionais reacionárias dentro do aparato do Estado Brasileiro ao longo de 13 anos.

Hoje Lula é peça chave de um acordão para salvar diversas cabeças do establishment político nacional e preservar a espinha dorsal do sistema que une supostos inimigos, em negócios nada republicanos, os quais as delações da Odebrecht apenas revelaram apenas um pedaço da ponta do iceberg.

Salta aos olhos que setores populares foram protestar na defesa de Lula dia 10 de maio, ao mesmo tempo em que este chega em Curitiba de jatinho particular, emprestado pelo grande empresário da educação e saúde privada Walfrido Mares Guia, notório defensor da mercantilização da educação e saúde. Como sabemos, quem paga a banda escolhe a música.

Enquanto muitos foram para Curitiba movidos pelo medo da perda de direitos previdenciários e trabalhistas, outros jogam combustível no motor do grande partido da ordem no Brasil, nutrindo ilusões com a ala esquerda da ordem do capital representada pelo petismo e seus aliados. Vale lembrar que a compra de parlamentares para compor a base dos governos petistas, conhecida como Mensalão, diz respeito exatamente sobre o modo de governar do PT. A reforma da previdência levada a ferro, fogo e grana pelo governo Lula em 2003, retirando direitos dos servidores públicos, foi aprovada pelo mesmo toma-lá-dá-cá que vemos hoje no governo ilegítimo de Michel Temer.

Já vivemos uma tragédia de grandes proporções que foi a traição do petismo de 2002, rasgando a promessa de “a esperança venceu o medo”, com o primeiro governo de Lula na pior lógica conciliação de classes, onde a elite brasileira saiu lucrando como nunca, em cima da esperança depositada por milhões de trabalhadores nas urnas. "Banqueiro não tinha porque estar contra o governo, porque os bancos ganharam dinheiro”, dizia Lula em 2006. Agora, na campanha antecipada de 2018, temos uma tentativa de volta do pior nível do velho, com o “medo venceu a esperança”.

O período histórico da hegemonia da esquerda no qual a referência era o campo composto por PT/CUT iniciado no final da década de 70, após o encerramento do ciclo de hegemonia do PCB, acabou no curto período entre a Carta Ao Povo Brasileiro de 2002 e a reforma da previdência de 2003.

O que vimos a partir daí, foi a consolidação de uma burocracia política que defendeu com unhas e dentes todos os ataques dos governos petistas aos setores populares e classe trabalhadora como um todo. Curioso que hoje estes mesmos atores voltam às ruas, que tanto criminalizavam enquanto estavam no poder, para criticar a reforma da previdência que a presidenta Dilma defendeu há poucos anos atrás. E sem nenhuma autocrítica de 2002.

Uma nova etapa está aberta, mas o petismo ainda deve ser superado. Se na década passada o “a esperança venceu o medo” representava um programa da classe trabalhadora, hoje isso é traduzido apenas pela propaganda da volta de Lula para a presidência, só que sem programa. Ou melhor, como representante mor dos setores que querem o retorno de uma espécie de pax romana no Brasil.

A polarização construída em torno da Operação Lava-Jato, comprovadamente seletiva e tendenciosa e no meio de uma verdadeira guerra-fria de interesses obscuros e paroquiais da direita brasileira, é de interesse direto do lulismo, cujo programa está cada vez mais resumido ao messianismo despolitizado.

Um eventual novo governo Lula pode ser eleito junto com a menor bancada do PT desde a década de 90, não que uma bancada ampla do petismo seja algo positivo. O que sobraria para esse eventual novo governo? Mais esquemas com Renan Calheiros e demais golpistas para garantir outra governabilidade?

Nosso projeto é outro. Devemos estar na construção da superação do conservadorismo, dos golpistas e do conjunto de erros e traições do petismo. A superação das falsas alternativas é necessária.

* Valério Paiva é Jornalista e colaborador do Jornal Santista
* Gilson Amaro é colaborador do Jornal Santista e militante do Coletivo Primeiro de Maio

sábado, 6 de maio de 2017

Sobre a reoxigenação do lulopetismo



Este fenômeno interessa apenas para a manutenção de um sistema que agora possui Temer na gerência. O petismo não é de fato contra o governo Temer, mas apenas contra Temer na presidência, fazendo oposição meramente cênica e pragmática. Não é a toa que dirigentes da cúpula do PT vacilaram relutantes em usar a palavra golpe, o próprio Lula sempre sinaliza isso.

Ai reside uma diferença fundamental. É necessário ser contra o governo Temer pelo projeto que ele representa e implementa, por seu sentido histórico, indissociável do lulopetismo, e também de tudo que há de mais retrógrado na história do Brasil. É preciso ser pelo Fora Temer pois este, aprofunda e torna ainda mais brutal o mesmo projeto que já atacava e retirava nossos direitos sob o comando de outros partidos e contra o quais já lutávamos.

Somos contra o governo Temer, não apenas por que o vice de Dilma usurpou a vaga na presidência, mas sim pela necessidade de romper com um projeto que agora mostra sua face mais voraz, buscando destruir direitos sociais, trabalhistas e previdenciários. E não fazemos esta luta por oportunismo eleitoral como muitos agora o fazem, pois são apenas a ala esquerda do "partido da ordem" e do grande capital, latifúndio e etc.

O “Fora Temer” deve expressar a necessidade de uma ruptura sistêmica, uma rebelião contra o sistema político brasileiro e toda a lógica de exploração e corrupção que ele retroalimenta, e não deve ser o caminho para o “retorno triunfal” da gerência petista no projeto de ataque aos nossos direitos e desmonte dos serviços públicos.

A estratégia de poder petista, pragmática e conservadora, fortaleceu os setores mais reacionários e retrógrados da direta brasileira, entrando em simbiose com estes para manter seus privilégios. Por isso o PT e demais partidos da ex-querda fazem malabarismos para esconder fatos históricos, lançando mão de uma curiosa e confusa narrativa dos acontecimentos, que aponta em vários e contraditórios sentidos, além de confundir democracia formal com democracia real.

Vivemos a falência da "Nova Republica”, e é necessário portanto construir um forte movimento extra parlamentar e radical na sociedade para reconstruir as bases da democracia e para evitar o risco de que as forças sistêmicas, representadas pelos polos que protagonizam a atual falsa polarização se reoxigenem e se fortaleçam para manter o controle do "partido da ordem".

Sendo assim: #ForaTemer

Gilson Amaro é militante do Coletivo Primeiro de Maio e colaborador do Jornal Santista

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Editorial Jornal Santista: A Greve Geral e o futuro do Brasil



Estamos às vésperas da realização de uma greve geral, construída para ocorrer no dia 28 de abril. Este movimento paredista ocorrerá após 100 anos de realização da primeira greve geral no Brasil, em 1917, movimento este, que foi um marco no processo de organização e conscientização da classe trabalhadora brasileira.

Atualmente vivemos uma grave crise política, econômica e social. Um dos traços marcantes da crise, no plano político, é a falta de legitimidade real dos representantes e das organizações políticas da República Brasileira. Falamos de um regime assolado por uma corrupção sistêmica, onde todos os partidos do establishment, e que já governaram o Brasil são beneficiários e impulsionadores dos mesmos esquemas de corrupção, servindo aos mesmos interesses econômicos e protagonizando uma falsa polarização, uma disputa política cênica para se justificarem publicamente perante suas bases sociais, enquanto nos bastidores se retroalimentam e servem aos mesmos donos do dinheiro.

Com altos índices de desemprego e subemprego em nosso país, os setores dominantes, com o absurdo discurso de “modernização” usam de manobras, para impor medidas nas áreas trabalhista, previdenciária e social, que levarão o Brasil não para o futuro, mas sim para uma reversão neocolonial. Estamos rumo a uma feitoria moderna, com a retirada de direitos conquistados ao longo de décadas, através de muita luta e resistência. O presidente da república e Congresso Nacional, são ilegítimos no sentido real do termo, assim além da greve geral precisamos de eleições gerais.

A greve desta sexta-feira, 28 de abril, construída por diversos sindicatos, associações e categorias de trabalhadores do setor público e privado, além de movimentos sociais e da juventude, é uma resposta aos desmontes e precarizações promovidos pelo governo ilegítimo de Michel Temer. O desmonte do Estado brasileiro vem disfarçado de reformas, quando na verdade são demolições no campo dos direitos previdenciários, trabalhistas e sociais.

Michel Temer (PMDB) e seus aliados, entes fisiológicos e clientelistas, são representantes dos donos do dinheiro e não do povo brasileiro, por isso, desejam destruir as leis trabalhistas, uma medida que vai aprofundar a crise brasileira e colocar a maioria dos trabalhadores e trabalhadoras em situação de subemprego e desemprego, visando sujeitar todos que vivem da venda da força de trabalho, as condições degradantes impostas pelos poderosos, retirando a proteção legal das leis trabalhistas, querem inaugurar a era do desmando prevalecendo sobre o legislado, em um mundo sem o direito a aposentadoria.

Em tempos de ataques aos nossos direitos, fica mais fácil de identificar o mito da neutralidade e imparcialidade. A grande mídia age diariamente de modo partidário, panfletário e ideológico, se escondendo atras destes mitos, assim segue sua campanha na defesa de grupos econômicos do grande capital, blindando o governo Temer e promovendo a ideologia dos defensores da precarização das relações de trabalho a todo custo.

Da mesma forma que os trabalhadores que construíram a greve geral de junho de 1917 no Brasil entraram para a história e pavimentaram o caminho para a criação da legislação trabalhista, os trabalhadores e trabalhadores de hoje também entrarão, com a luta contra o retrocesso e desmonte dos direitos trabalhistas, sociais e previdenciários.


Santos 27 de abril de 2017

sábado, 8 de abril de 2017

Como transformar um caso de violência num case de sucesso, ou porque devemos falar sobre assédio e violência dentro das empresas de comunicação


Para quem não conhecia ou nunca teve oportunidade de acompanhar, o modo como o Grupo Globo está tratando o lamentável e nojento episódio de assédio sexual envolvendo o ator José Mayer contra a figurinista Susllem Tonani é um típico caso de gerenciamento de crise extremamente profissional.
Do ponto de vista da empresa, mais importante do que investigar, punir o responsável e coibir práticas de assédio sexual, moral e outras formas de violência e opressão existentes no ambiente de trabalho, a preocupação primordial do Grupo Globo é com a preservação de sua reputação e não com a segurança e sofrimento das vítimas.
Para essas organizações envolvidas no gerenciamento de crise, o crime contra uma mulher é chamado burocraticamente de 'adversidade', e para superar essa situação e salvar a imagem institucional, ações devem ser tomadas e usadas como forma de marketing propositivo em favor da organização. É emblemático que o corajoso protesto interno das funcionárias, em vez de ser reprimido ou silenciado, foi aceito e depois incentivado pelas chefias, liga-se a um episódio bem específico que gerou grande repercussão externa, já incontrolável, por conta da fama e posição do agressor. Não fosse isto, ou se o agressor fosse um funcionário do baixo clero da empresa, provavelmente a situação seguiria o rito usual dá invisibilidade, e as funcionarias seriam relegadas ao silenciamento.
Para o Grupo Globo o importante é o marketing social e os dividendos que podem ser colhidos. O restante é perfumaria. Se um executivo (ou nesse caso, um ator) tiver que ser responsabilizado pela 'adversidade' e punido, é um sacrifício necessário para preservar o conjunto da organização, demais executivos e seus acionistas. Não duvidem que a carta com a autocritica de José Mayer tenha sido escrita junto com membros do comitê gestor de crise.
Se o ator José Mayer será demitido ou mantido na geladeira por anos, vai depender do quanto a poeira foi jogada para debaixo do tapete pela empresa.
Do nosso ponto de vista, trabalhadores em comunicação que lutamos contra toda forma de opressão, a discussão não deve ser a mesma. Antes de qualquer apoio ao marketing social que beneficiará uma empresa, temos que estar do lado de quem sofre assédio moral. Milhares de pessoas são vitimas desse mal diariamente, sejam nas empresas de comunicação ou qualquer outro ramo. Seja no serviço público ou na iniciativa privada. E quase todos são invisíveis. Muitas vezes somos forçados a sermos silenciados e não levarmos qualquer denúncia para frente.
Por isso a denuncia de Susllem Tonani foi corajosa. A organização das funcionárias dentro da empresa, organizando o protesto com as camisetas "Mexeu com uma, mexeu com todas" foi fundamental. E quando a Folha de S.Paulo apagou o texto com a denúncia de forma absurda, os questionamentos dos leitores e o compartilhamento por outros canais do texto original ajudaram a expor a hipocrisia e uma possível tentativa de abafar o caso.
E nesse caso especifico, uma discussão fundamental que devemos fazer é a culpa do próprio Grupo Globo ao incentivar a criação de personagens (e atores) viris e sedutores em suas produções. Personagens que subjugam as mulheres. Homens mais velhos que seduzem mulheres mais jovens, mas nunca o contrário. E ainda por cima existem outras formas de machismo e preconceito na dramaturgia, nas artes e na comunicação social que devem ser discutidas.
José Mayer é protagonista, mas a responsabilidade é do grupo Globo, que perpetuam e abafam essas práticas não só na dramaturgia, mas inclusive nos famigerados testes de sofá que sabemos que existem.
Precisamos lutar cada vez mais contra todas as formas de opressão dentro e fora das empresas de comunicação. E não cair na ladainha do marketing social e gerenciamento de crise para salvar imagens de empresas em vez de cuidar dos trabalhadores vítimas de violência no trabalho.
E vamos vencer.


*Valério Paiva é jornalista e colaborador do Jornal Santista



sexta-feira, 7 de abril de 2017

No dia mundial da saúde ativistas realizaram panfletagem contra desmonte do SUS em Santos


A atividade foi organizada pelo Fórum Popular de Saúde, movimento composto pela população indignada que luta pela saúde pública de qualidade e acessível na Baixada Santista.




Os integrantes do Fórum, panfletaram e conversaram com pessoas na Praça Mauá no centro de Santos. Tendo grande receptividade e interação com quem estava no local. 

A trabalhadora da saúde, Maria Aparecida, integrante do Fórum, afirmou: "Estamos aqui reunidos porque defendemos o SUS. Temos que ter a consciência estamos sendo atacados, estamos na mira projeto neoliberal de eliminar as políticas públicas e transferir dinheiro público para o setor privado. A saúde não é mercadoria!".

Para Valdir, petroleiro aposentado que também constrói o Fórum disse que "o sucateamento a qualidade do SUS ‘é estratégico’, para em seguida se comece a implementar planos de saúde com preços 'populares'. Ou seja, primeiro a precarização é implementada em seguida se abre espaço para a privatização de um serviço que deveria ser um direito garantido".


Está programada para amanhã uma atividade do Fórum Popular de Saúde na Praia Grande.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Professores realizam ato na diretoria de ensino de Santos


Professores e professoras em greve, contra a reforma da previdência e em defesa da educação pública, realizaram ato em frente a diretoria de ensino de Santos nesta quinta-feira 30/03.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Mais de 350 moradores da ocupação Achieta podem ser despejados amanhã



As 72 famílias que vivem na Ocupação Anchieta, localizada logo atrás do Hospital da Beneficência Portuguesa na rua São Paulo estão sob ameaça de despejo nessa sexta-feira (24). Uma reintegração que deve acontecer inclusive com uso de força da Policia Militar. 

As mais de 350 pessoas receberam apenas um mandado de intimação para desocupação no dia 10 de março que foi entregue por um oficial de justiça.  Com o prazo de apenas 15 dias para deixar o local os moradores se encontram desesperados porque não puderam se organizar e não sabem para onde vão.

Muitas pessoas vivem no prédio mesmo sob condições precárias justamente porque não possuem recursos para sobreviver em outras condições, maioria dos moradores estão desempregados, vivem do trabalho informal e de subempregos.

No passado o prédio foi a chamada "Casa de Saúde Anchieta" um manicômio privado que tornou-se conhecido pela aplicação de métodos desumanos no tratamento dos pacientes. O local sofreu uma intervenção em 1989, um marco na luta anti-manicomial na cidade de Santos. Posteriormente o imóvel foi abandonado, e visto como uma oportunidade de moradia por diversas famílias que ao poucos passaram a morar no local. 

Abaixo o vídeo em que a moradora Patricia Maria da Silva e Marcos Teixeira denunciam a surpresa que receberam a ordem de reintegração e o abuso que é a ordem de despejo



sábado, 18 de março de 2017

Erosão e desaparecimento das praias em Santos


Santos está perdendo parte de suas praias, ao mesmo tempo que as ressacas estão se tornando mais frequentes e intensas.

Para entender o que está ocorrendo, o Jornal Santista entrevistou o doutor em Geologia e professor da Unifesp, Emiliano Castro, que explica os impactos da atividade portuária, degradação ambiental e urbanização massiva em Santos.