quinta-feira, 27 de abril de 2017

Editorial Jornal Santista: A Greve Geral e o futuro do Brasil



Estamos às vésperas da realização de uma greve geral, construída para ocorrer no dia 28 de abril. Este movimento paredista ocorrerá após 100 anos de realização da primeira greve geral no Brasil, em 1917, movimento este, que foi um marco no processo de organização e conscientização da classe trabalhadora brasileira.

Atualmente vivemos uma grave crise política, econômica e social. Um dos traços marcantes da crise, no plano político, é a falta de legitimidade real dos representantes e das organizações políticas da República Brasileira. Falamos de um regime assolado por uma corrupção sistêmica, onde todos os partidos do establishment, e que já governaram o Brasil são beneficiários e impulsionadores dos mesmos esquemas de corrupção, servindo aos mesmos interesses econômicos e protagonizando uma falsa polarização, uma disputa política cênica para se justificarem publicamente perante suas bases sociais, enquanto nos bastidores se retroalimentam e servem aos mesmos donos do dinheiro.

Com altos índices de desemprego e subemprego em nosso país, os setores dominantes, com o absurdo discurso de “modernização” usam de manobras, para impor medidas nas áreas trabalhista, previdenciária e social, que levarão o Brasil não para o futuro, mas sim para uma reversão neocolonial. Estamos rumo a uma feitoria moderna, com a retirada de direitos conquistados ao longo de décadas, através de muita luta e resistência. O presidente da república e Congresso Nacional, são ilegítimos no sentido real do termo, assim além da greve geral precisamos de eleições gerais.

A greve desta sexta-feira, 28 de abril, construída por diversos sindicatos, associações e categorias de trabalhadores do setor público e privado, além de movimentos sociais e da juventude, é uma resposta aos desmontes e precarizações promovidos pelo governo ilegítimo de Michel Temer. O desmonte do Estado brasileiro vem disfarçado de reformas, quando na verdade são demolições no campo dos direitos previdenciários, trabalhistas e sociais.

Michel Temer (PMDB) e seus aliados, entes fisiológicos e clientelistas, são representantes dos donos do dinheiro e não do povo brasileiro, por isso, desejam destruir as leis trabalhistas, uma medida que vai aprofundar a crise brasileira e colocar a maioria dos trabalhadores e trabalhadoras em situação de subemprego e desemprego, visando sujeitar todos que vivem da venda da força de trabalho, as condições degradantes impostas pelos poderosos, retirando a proteção legal das leis trabalhistas, querem inaugurar a era do desmando prevalecendo sobre o legislado, em um mundo sem o direito a aposentadoria.

Em tempos de ataques aos nossos direitos, fica mais fácil de identificar o mito da neutralidade e imparcialidade. A grande mídia age diariamente de modo partidário, panfletário e ideológico, se escondendo atras destes mitos, assim segue sua campanha na defesa de grupos econômicos do grande capital, blindando o governo Temer e promovendo a ideologia dos defensores da precarização das relações de trabalho a todo custo.

Da mesma forma que os trabalhadores que construíram a greve geral de junho de 1917 no Brasil entraram para a história e pavimentaram o caminho para a criação da legislação trabalhista, os trabalhadores e trabalhadores de hoje também entrarão, com a luta contra o retrocesso e desmonte dos direitos trabalhistas, sociais e previdenciários.


Santos 27 de abril de 2017

sábado, 8 de abril de 2017

Como transformar um caso de violência num case de sucesso, ou porque devemos falar sobre assédio e violência dentro das empresas de comunicação


Para quem não conhecia ou nunca teve oportunidade de acompanhar, o modo como o Grupo Globo está tratando o lamentável e nojento episódio de assédio sexual envolvendo o ator José Mayer contra a figurinista Susllem Tonani é um típico caso de gerenciamento de crise extremamente profissional.
Do ponto de vista da empresa, mais importante do que investigar, punir o responsável e coibir práticas de assédio sexual, moral e outras formas de violência e opressão existentes no ambiente de trabalho, a preocupação primordial do Grupo Globo é com a preservação de sua reputação e não com a segurança e sofrimento das vítimas.
Para essas organizações envolvidas no gerenciamento de crise, o crime contra uma mulher é chamado burocraticamente de 'adversidade', e para superar essa situação e salvar a imagem institucional, ações devem ser tomadas e usadas como forma de marketing propositivo em favor da organização. É emblemático que o corajoso protesto interno das funcionárias, em vez de ser reprimido ou silenciado, foi aceito e depois incentivado pelas chefias, liga-se a um episódio bem específico que gerou grande repercussão externa, já incontrolável, por conta da fama e posição do agressor. Não fosse isto, ou se o agressor fosse um funcionário do baixo clero da empresa, provavelmente a situação seguiria o rito usual dá invisibilidade, e as funcionarias seriam relegadas ao silenciamento.
Para o Grupo Globo o importante é o marketing social e os dividendos que podem ser colhidos. O restante é perfumaria. Se um executivo (ou nesse caso, um ator) tiver que ser responsabilizado pela 'adversidade' e punido, é um sacrifício necessário para preservar o conjunto da organização, demais executivos e seus acionistas. Não duvidem que a carta com a autocritica de José Mayer tenha sido escrita junto com membros do comitê gestor de crise.
Se o ator José Mayer será demitido ou mantido na geladeira por anos, vai depender do quanto a poeira foi jogada para debaixo do tapete pela empresa.
Do nosso ponto de vista, trabalhadores em comunicação que lutamos contra toda forma de opressão, a discussão não deve ser a mesma. Antes de qualquer apoio ao marketing social que beneficiará uma empresa, temos que estar do lado de quem sofre assédio moral. Milhares de pessoas são vitimas desse mal diariamente, sejam nas empresas de comunicação ou qualquer outro ramo. Seja no serviço público ou na iniciativa privada. E quase todos são invisíveis. Muitas vezes somos forçados a sermos silenciados e não levarmos qualquer denúncia para frente.
Por isso a denuncia de Susllem Tonani foi corajosa. A organização das funcionárias dentro da empresa, organizando o protesto com as camisetas "Mexeu com uma, mexeu com todas" foi fundamental. E quando a Folha de S.Paulo apagou o texto com a denúncia de forma absurda, os questionamentos dos leitores e o compartilhamento por outros canais do texto original ajudaram a expor a hipocrisia e uma possível tentativa de abafar o caso.
E nesse caso especifico, uma discussão fundamental que devemos fazer é a culpa do próprio Grupo Globo ao incentivar a criação de personagens (e atores) viris e sedutores em suas produções. Personagens que subjugam as mulheres. Homens mais velhos que seduzem mulheres mais jovens, mas nunca o contrário. E ainda por cima existem outras formas de machismo e preconceito na dramaturgia, nas artes e na comunicação social que devem ser discutidas.
José Mayer é protagonista, mas a responsabilidade é do grupo Globo, que perpetuam e abafam essas práticas não só na dramaturgia, mas inclusive nos famigerados testes de sofá que sabemos que existem.
Precisamos lutar cada vez mais contra todas as formas de opressão dentro e fora das empresas de comunicação. E não cair na ladainha do marketing social e gerenciamento de crise para salvar imagens de empresas em vez de cuidar dos trabalhadores vítimas de violência no trabalho.
E vamos vencer.


*Valério Paiva é jornalista e colaborador do Jornal Santista



sexta-feira, 7 de abril de 2017

No dia mundial da saúde ativistas realizaram panfletagem contra desmonte do SUS em Santos


A atividade foi organizada pelo Fórum Popular de Saúde, movimento composto pela população indignada que luta pela saúde pública de qualidade e acessível na Baixada Santista.




Os integrantes do Fórum, panfletaram e conversaram com pessoas na Praça Mauá no centro de Santos. Tendo grande receptividade e interação com quem estava no local. 

A trabalhadora da saúde, Maria Aparecida, integrante do Fórum, afirmou: "Estamos aqui reunidos porque defendemos o SUS. Temos que ter a consciência estamos sendo atacados, estamos na mira projeto neoliberal de eliminar as políticas públicas e transferir dinheiro público para o setor privado. A saúde não é mercadoria!".

Para Valdir, petroleiro aposentado que também constrói o Fórum disse que "o sucateamento a qualidade do SUS ‘é estratégico’, para em seguida se comece a implementar planos de saúde com preços 'populares'. Ou seja, primeiro a precarização é implementada em seguida se abre espaço para a privatização de um serviço que deveria ser um direito garantido".


Está programada para amanhã uma atividade do Fórum Popular de Saúde na Praia Grande.