terça-feira, 18 de julho de 2017

Não é difícil de entender


por *Gilson Amaro

Questões complexas podem ser explicadas de forma simples, não que assim se possa passar o entendimento nos detalhes da questão, mas pode passar a compreensão do seu sentido geral e significado amplo.

O curioso é que muitas vezes coisas simples são as mais difíceis de explicar ou de se fazer entender, e quando isso ocorre estamos diante de um grande problema. Sobre diversos elementos da atual conjuntura política brasileira isto se comprova, pois a perspectiva histórica, parece ter sido colocada fora da jogada, não de forma impensada, claro, o que turva a compreensão do presente.

Por exemplo um grande alarde marca a condenação de Lula, mas não marca o fato de Rafael Braga estar preso por portar pinho sol em 2013 durante manifestações, não há também mesmo alarde, para o fato de nossas prisões serem presídios políticos em sentido amplo, para pobres negros e periféricos. Assim há uma inversão, como se um dos homens mais poderosos do Brasil, que viaja em avião de megaempresário da educação para prestar depoimento, fosse a síntese da seletividade penal brasileira. Tem algo muito errado neste entendimento.

Setores do ativismo social, seja em camadas jovens ou em setores de outras gerações, incorporam muitas vezes de forma acrítica, estas determinações politicas, formuladas pela executiva nacional do PT e disseminada em blogs, sites e demais meios de comunicação e movimentos que estes dirigem e influenciam.

A mesmo tempo, não se vê por parte do lulopetismo a mesma reação no tocante destruição dos direitos trabalhistas, corte de gastos em áreas sociais etc. A oposição do petismo (leia-se sempre- Pc do b também) aos ataques é meramente instrumental, pragmática, não passam de shows pirotécnicos das burocracias sindicais e parlamentares no Congresso Nacional destes agrupamentos políticos, que são apenas a outra face da mesma moeda dos grupos que compõe a sustentação do governo Temer, maioria que já foi a sustentação dos governos Lula e Dilma.

Para aprofundarmos um entendimento sobre isso, vamos a um dado simples. PT e Lula não são vítimas da atual conjuntura política, mas sim grandes responsáveis por ela. Outro dado simples, de igual modo Lula, PT e seus aliados e integrantes ( Pc do B, CUT, UJS etc...) não são a solução para a crise que vivemos e sim parte dela. Para entender basta voltar ao primeiro dado deste parágrafo.

Estes argumentos são de uma simplicidade de saltar aos olhos. Mas para alguns setores, são refutados, como se fossem absurdos, isto também é fácil de entender (volte ao primeiro item do parágrafo anterior). O PMDB foi histórico aliado do petismo, que passou mais de 13 anos defendendo um suposto “realismo politico”, estabelecendo que o limite da esquerda brasileira seria os marcos da governabilidade, sem rupturas, sem enfrentamentos, uma esquerda responsável e bem comportada, que mudará o Brasil em alianças com estas forças que hoje estão ao lado de Temer, sim o Temer que era vice da Dilma e o PMDB que era a tropa de choque dos petistas no poder.

Quando nos tentam convencer que o grande problema do Brasil, é o fato de um possível candidato, ex presidente, de um partido que sempre governou com os que estão governando hoje, atacando os setores populares, se tornar inelegível em 2018 é hora de voltar ao parágrafo anterior, pois não podemos cair nesta falácia. 

*Gilson Amaro é colaborador do Jornal Santista