terça-feira, 16 de maio de 2017

Não confunda modernidade com retrocesso


por Gilson Amaro*

O discurso privatista e pela retirada de direitos é sempre formulado e propagado a partir do "andar de cima" e se dissemina aqui, no "andar de baixo. Assim faz as pessoas que serão vitimas deste desmonte, reproduzirem o discurso.

Os defensores da reforma contam um história fantasiosa, dizendo propiciará um ambiente no qual empresários e empregados, terão liberdade para negociar o contrato de trabalho, sem a intervenção do Estado malvado, sendo felizes para sempre. E tudo em benefício do desenvolvimento do país. Discurso que não podia ser mais mentiroso, pasmem, é isso que chamam, descaradamente de modernização.

No mundo real, caso a reforma seja aprovada e o "negociado" prevaleça sobre o legislado, as empresas simplesmente vão dizer: Ou é isso, ou vai todo mundo ser demitido, pois tem muita gente querendo emprego! Alguém em sã consciência, acha que existe possibilidade de negociação neste tipo relação? Claro que não.

Nós trabalhadores não temos, na verdade, condições iguais de "negociação" pois é uma relação entre desiguais, patrões e empregados, por isso é que temos que construir organizações coletivas e sindicatos (os sérios e de luta, não os pelegos que vivem apenas de imposto sindical).

A reforma vai beneficiar exclusivamente o "andar de cima", o grande empresariado, aqueles que vivem de isenções fiscais, onerando os cofres públicos, nos assediando moralmente e pagando baixos salários. Esta conversa de que todos ganham é papo furado.

Dizer que a CLT precisa se "modernizar" é mascarar o retrocesso civilizatório que querem impor no país. Querem criar um regime de subemprego e superexploração, com jornada intermitente, 12 horas de trabalho diário, férias parceladas, pausa de 30 minutos. O que isso tem a ver com modernidade?

Precisamos sim de reformas que fortaleçam nossos direitos. Os direitos trabalhistas são as proteções contra o abuso do poder econômico. Mas, o que eles atualmente chamam de reforma é um retrocesso, um desmonte, pois querem tirar as poucas proteções legais que existem para nos proteger contra os abusos e imposições. Se eles vencerem imaginem o resultados...

* Gilson Amaro é colaborador do Jornal Santista